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07.03.07

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Música
Após longa espera, enfim o CD
Sallamantra lança Ouça Sem Moderação

FÁBIO BIANCHINI


Um problema com patrocinadores atrasou em cerca de um ano e meio o lançamento do segundo disco do Sallamantra, Ouça Sem Moderação. Nesse período, além de reerguer as finanças da banda e substituir dois integrantes, precisaram também resistir à tentação de mexer ou mudar a gravação que estava ali, prontinha e masterizada. Agora, quando finalmente botam o disco na rua, encontram um cenário diferente e trabalham também para reconstruir o público.

O plano inicial era lançar Ouça Sem Moderação no final de 2004, mas quando o patrocinador desistiu após pagar à banda 40% do valor que tinham combinado, eles viram-se não só sem dinheiro, mas com várias dívidas referentes a compromissos já assumidos com base nos recursos que esperavam. As dificuldades acabaram ocasionando a perda do guitarrista Alexandre Brandalise (substituído por Tiago Meurer); ao mesmo tempo, lembra o vocalista Rodrigo Ribeiro, diminuía o público de shows das mais populares bandas florianopolitanas, grupo nas quais o Sallamantra se inclui. A partir daí, foi com apresentações em espaços menores que saldaram as dívidas, conseguiram financiar o CD e ter para quem lançá-lo.

" A nossa turma continua unida. Eu vim do John Bala Jones, o Alexandre é muito amigo do pessoal do Iriê e por aí vai, tanto que costumávamos incluir nos shows um medley da Ilha, com seis músicas de outras bandas daqui. E agora a gente vê novas bandas juntando-se para fazer surgir um cenário que não existia, com coisas legais como o Clube da Luta" - aponta.

Essa aproximação com outros grupos aparece com a inclusão no disco de composições com participação autoral de integrantes dessa turma, como Cléo e Rô do Iriê, Emilia Carmona, e Giulio e Guilherme, do John Bala Jones. Guilherme, que também é irmão de Rodrigo, aparece também como vocalista convidado em Só Você e Eu., com seu funk pop aplicado de tecladinhos de eletrônica lounge.

Uma das máximas da produção musical diz que mixagens ou gravações nunca são completados, são abandonados, pois sempre há algo que pode ser mudado. Com o disco ali para ouvirem antes do lançamento e novas idéias surgindo, Ribeiro confessa que pensaram no assunto várias vezes.

" O tempo todo. Eu também sugeri mexer em algumas coisas e chegamos a entrar em estúdio para gravar músicas novas, mas, além de ficar ainda mais caro, concluímos que, se o disco fosse lançado quando deveria, não teríamos mais como mudar. Então, mesmo assim, preferimos preservar o que ele era quando ficou pronto" - explica.

E o que ele era e é agora? Principalmente funk, soul e pop, em sua versão que, conforme o gosto do freguês, pode ser chamada de mais coolou mais aguada, mas sempre bem tocado, com toques jazzísticos e de bossa nova, especialmente na construção das harmonias e preocupações com os timbres dos teclados e da colocação do naipe de metais. Ela É uma Louca, por exemplo, sugere um Ed Motta mais pop e direto. As intervenções eletrônicas também são sempre discretas e climáticas, revelando alguma influência do trip hop, especialmente em Segundo Desejo. Vislumbram uma paisagem musical entre Jota Quest e Djavan aqui e ali ou aproximam-se de Tim Maia, como em Já Fiz o Tempo Passar e Nos Versos Entre Outras Mais.

Ouça Sem Moderação, Sallamantra (independente). 10 faixas, R$ 25
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